Bens móveis

“Estátua da Deusa Vênus”

Entre 1859 e 1881, a Vila de Varginha entrava no seu período de evolução. A construção das obras das primeiras entidades públicas tomava fôlego. Com a vinda de várias famílias para cá, crescia o número de casas. Em 1914, com a chegada da luz elétrica, os antigos hábitos varginhenses de colocar cadeiras nas calçadas de suas casas, para conversar com compadres e amigos, praticamente foi abandonado. A população aproveitava a iluminação para uma prosa mais alegre na praça.

À medida em que Varginha evoluía, fazia-se necessário embelezar a Avenida Rio Branco – “Coração da Cidade”. Começaram então pela praça principal, localizada na mesma avenida. Contudo, na década de 20, ao construírem um lago para esta praça, resolveram colocar no mesmo a Estátua de Deusa Vênus – uma vez que estávamos no limiar da República, por que não colocar uma figura feminina que realçasse os ideais positivistas? Diante de uma severa sociedade que não tolerava intimidades entre namorados, restava aos mesmos o discreto jogo de olhares que, em muitos casos, tempos depois, levou vários corações apaixonados ao altar. Estátua da “Deusa de Vênus”, enfeitando a praça da Av. Rio Branco Vênus – deusa do “Amor” – não poderiam ter feito escolha melhor.

Durante muitos anos ela foi a cúmplice de namoros proibidos e amores cinematográficos. Também foi a mãe protetora que zelava pelas crianças que ali sempre brincavam. Apesar de estática, por muitos anos a Estátua da Deusa Vênus permanecerá viva em nossas mentes, num jogo lúdico sempre povoará nossas mais singelas lembranças. A Estátua fundida em cimento, cal e areia recoberta com uma mistura de pó de mármore e resina poliéster imitando um marmorizado em tons cinza.

Bens móveis inventariados e integrados no Museu Municipal

Cofre do Banco do Brasil

Faz parte da estrutura do imóvel e era usado para guardar dinheiro e documentos. O cofre foi instalado em uma das laterais do salão da antiga agência, no primeiro pavimento do edifício, com uma porta de grade e outra grossa de chapa de ferro, pesando cerca de uma tonelada. Suas medidas são 4,30 metros de altura, 3,60 de comprimento, 2,40 metros de largura e a parede tem a espessura de 20 centímetros e meio. A porta possui 16 centímetros de espessura, com 46 centímetros de largura e 2,10 metros de comprimento.

No seu interior, hoje, encontram-se as antigas máquinas de somar, moedas antigas, medalhas, banners com a história das moedas. Na parte superior encontram-se prateleiras. A moeda mais antiga exposta no interior do cofre é uma de 40 réis, do Governo Imperial de D. Pedro I. Os banners contam a história da moeda, sendo que o primeiro mostra as mercadorias usadas como dinheiro: o pau-brasil, pano de algodão, fumo, zimbo (tipo de concha utilizada nas trocas entre os escravos). O segundo banner mostra o controle da extração de ouro; o seguinte traz a criação do Banco do Brasil e outro apresenta as patacas, moedas que circularam por 139 anos. O quinto banner vai mostrar a inovação na fabricação das moedas e, por fim, a história das moedas de 1942 até o dias de hoje.

Pia Batismal

A Pia Batismal da antiga Matriz do Espírito Santo, que data do ano de 1914, em mármore e bronze, com a técnica de escultura e fundição. A Pia Batismal foi esculpida em três partes: bacia, fuste e base, trabalhada em mármore de cor avermelhada com manchas brancas, característica natural de pedra. A coluna é lisa e simples. A bacia ou pia é dotada de tampa fundida em bronze, com três níveis de altura e puxador em forma de bola do mesmo material, que tem como finalidade isentar a água de impurezas. As três partes são encaixadas uma na outra.

Não possui nenhum detalhe de alto ou baixo relevo. No seu interior encontra-se uma divisão em mármore branco, sendo que um lado possui orifício para escoação da água que sai em um cano de ferro localizado na junção bacia/fuste. Essa divisão no interior da bacia serve, de um lado, para a água lustral, que servirá para a aspersão e, do outro, para escorrer da cabeça dos neófitos. Uma não pode juntar-se à outra. Anexada no fuste encontra-se uma placa de alumínio, com os dizeres e datas dos doadores da pia.

A Pia tem finalidade de se verter a água utilizada no Batismo, um dos sete sacramentos da Igreja Católica. Antes de sua função litúrgica, passa pela operação da bênção, cerimônia que o ritual manda fazer no Sábado Santo. Sua regra rígida, a de construção em pedra, tem o caráter de perpetuidade. A Pia, como já foi dito, era integrada à antiga Matriz do Espírito Santo que foi completamente destruída na década de 1970, restando a Pia Batismal como memória.

Altar

O altar que pertencia à antiga Igreja do Rosário, construída no local onde atualmente é o VTC – Varginha Tênis Clube.

A primitiva Igreja do Rosário era localizada pouco acima da Matriz, tendo sua construção se iniciado no ano de 1845, através de donativo do Capitão Antônio José Teixeira e erigida com mão-de-obra escrava. Em 1913 esta construção foi demolida para ser reconstruída na altura do Varginha Tênis Clube, recebendo a bênção em 24 de outubro de 1914. Ali ficou pouco tempo, tendo sido transferida para a Praça Melo Viana.

Os motivos dessa mudança, não há documentos históricos que os apontem. O altar, ao qual nos referimos, foi encontrado em meio aos escombros, esquecido entre tantos outros objetos pelo Senhor João Batista de Souza, que o guardou por muitos anos em sua residência Em 1942 a Igreja do Rosário já se encontrava na Praça Melo Viana. A primeira Igreja do Rosário, situada pouco acima da Matriz, foi demolida para se fazer a abertura da Avenida São José.

O altar é uma peça em madeira com duas colunas arqueadas, entalhe em “L”, que saem juntas da base (frente) e se separam na parte superior, formando um arco ogival de ponta cabeça. A parte superior da peça sustenta um tampo de madeira. A técnica usada na sua feitura foi corte, colagem, entalhe e montagem. Mede 1,41 cm de comprimento, l,14 de altura e 24 cm de largura.