Institucional | 02.07.18

Projeto Territórios de Invenção recebe inscrições até 16 de julho

Varginha será sede da residência musical dos artistas Joana Queiroz e Rafael Martini, que ocorrerá entre os dias 30 de julho e 10 de agosto, no Conservatório Estadual Maestro Marciliano Braga. A prática artística faz parte da 2ª edição do projeto Territórios de Invenção: Residências Musicais, realizado pela Fundação de Educação Artística (FEA), que até outubro proporcionará o convívio e a troca de processos de criação musical entre artistas – com projeção nacional e internacional – e músicos estudantes de seis municípios do estado. Com trabalhos conjuntos realizados desde 2010, a clarinetista e saxofonista Joana Queiroz e o pianista e arranjador Rafael Martini são dois dos nomes mais prestigiados dentre os artistas e compositores da nova geração, com trabalhos inventivos, traçando diferentes caminhos para a música instrumental.

As inscrições do projeto são gratuitas. Para a etapa de Varginha, elas já estão abertas podendo ser realizadas entre os dias 25 de junho e 16 de julho, por meio do preenchimento de ficha de inscrição online disponível em http://bit.ly/residenciavarginha. Podem se inscrever músicos a partir de 15 anos que tenham algum domínio de seu instrumento (que também pode ser a voz). Cada um deve levar instrumento e, se necessário, um amplificador. Vagas também para ouvintes.

A primeira semana de residência será amplamente aberta ao público em geral, com bate-papo no dia 30 de julho (segunda), a partir das 19h, e ensaio aberto no dia 02 de agosto (quinta), de 18h às 21h. Já para a segunda semana será desenvolvido um trabalho intensivo com os 20 músicos selecionados através de inscrição (público-alvo: a partir de 15 anos, com algum domínio de seu instrumento, que deverá ser levado juntamente a um amplificador, se necessário), mas também com abertura para o público em geral acompanhar como ouvinte. No dia 10 de agosto (sexta) será realizado um concerto de encerramento, aberto à comunidade, trazendo o resultado das duas semanas de imersão musical através da residência.

A partir do tema Com-Por (Por Junto), Joana Queiroz e Rafael Martini buscarão evidenciar ao longo de 10 dias os cruzamentos entre os universos da canção e da música instrumental, por meio de exercícios e jogos musicais voltados para a interatividade, cooperação e criatividade no grupo. O resultado das criações será apresentado em um concerto de encerramento. Haverá também bate-papo aberto ao público sobre os aspectos observados ao longo da residência, como composição, arranjo, direção e produção musical.

Indo além do formato de oficina, que geralmente visa a construção de um atelier compartilhado, a proposta de residência, segundo Rafael Martini, caminha no sentido de se produzir material musical a partir da vivência em um dado ambiente, com o trabalho sendo afetado não só pelas visões de mundo dos participantes, mas pelo próprio local – no caso o Conservatório Estadual e a cidade de Varginha. “A ideia é passar um tempo e sentir uma transformação a partir dessa imersão, que é tão rara pra gente”, comenta o compositor e arranjador.

Sobre o “Territórios de Invenção” 2018
De julho a outubro deste ano, duos e trios formados por músicos experientes de Minas Gerais vão ocupar espaços convencionais de ensino de arte, como conservatórios e universidades, de seis cidades do estado, para compartilhar práticas e processos de criação em música e performance com artistas e estudantes dessas localidades. A primeira etapa será realizada em Contagem, agora no início de julho (com inscrições encerradas no dia 25 de junho). Na sequência, serão contempladas as cidades de Varginha (30 de julho a 10 de agosto, com as residências de Joana Queiroz e Rafael Martini), Juiz de Fora (20 a 31 de agosto com Marina Cyrino e Matthias Koole), São João Del Rei (03 a 14 de setembro com Elise Pittenger e Fernando Rocha (Duo Qattus) | Felipe José), Araçuaí (17 a 28 de setembro com Titane e Makely Ka). Araguari encerra o projeto (15 a 26 de outubro com Edson Fernando e Ricardo Passos).

“A continuidade deste projeto, que teve sua primeira edição em 2016, fortalece a aproximação entre estudantes e artistas de várias partes do estado, construindo assim uma ampla rede criativa de experimentação e saberes musicais, em Minas”, explica uma das coordenadoras artísticas do projeto, a musicista e pesquisadora, Patrícia Bizzotto. Com uma concepção original, com foco nas residências, Patrícia ressalta que objetivo é menos o resultado e mais o processo, que se dá a partir do deslocamento do artista para outra cidade, da imersão nas residências, do trabalho colaborativo com outros músicos, da multiplicidade de estilos, provocações e investigações. “Além de difundir a criação musical contemporânea mineira, o projeto vai provocar encontros, afetos e estímulos para a percepção e a invenção de linguagens e de espaços sonoro-musicais”, acrescenta.

“O tema escolhido para esta edição é Paisagem Sonora Agora”, explica a etnomusicóloga, Lúcia Campos, também coordenadora artística do “Territórios de Invenção”. Segundo ela, as residências, que duram cerca de 10 dias, terão como ponto de partida as questões: Como a música engendra a percepção de cada território? Como as paisagens sonoras são construídas, mas também destruídas? Como é uma escuta moderna da natureza? O que é natural na escuta da cidade? Qual o reflexo do caos ambiental em nossas formas urbanas de escuta? “As residências têm um espaço-tempo intensivo e urgente de experimentação, de criação, através da prática musical e da escuta aberta e ativa sobre cada local, cada cidade, seus espaços, suas paisagens, seus habitantes, humanos e não-humanos, suas tensões e fricções. Ao mesmo tempo em que a experiência do deslocamento é motivo para a criação, as relações ali estabelecidas no agora, através do som, da música, inventam novos territórios possíveis”, explica Lúcia Campos.

Com 55 anos completados em maio de 2018, a FEA, escola de música e instituição cultural de Belo Horizonte, é reconhecida nacionalmente por promover, estimular e difundir a música contemporânea em nível de prática, pesquisa e investigações de linguagens. Nesse sentido, a diretora da Fundação de Educação Artística, Berenice Menegale, considera que “Territórios de Invenção é um momento de estímulo para os músicos das ‘cidades-residências’, um sopro de renovação, oportunidade de contatos enriquecedores, ocasião para descobertas e um salto para o futuro da arte”, diz.

Residência Musical Com-Por (Por Junto) – Joana Queiroz e Rafael Martini
A residência buscará evidenciar os cruzamentos entre os universos da canção e da música instrumental. Com o objetivo de se trabalhar a ação de compor em parceria com um grande grupo, propõe-se que o trabalho tangencie noções caras ao universo da composição musical popular, como a de transmissão cultural, inconsciente coletivo, limites entre arranjo e composição, desenvolvimento de motivos e a própria noção de autoria e originalidade em música. Por meio de exercícios e jogos musicais voltados para a interatividade no grupo, espera-se que seja construído um ambiente de cooperação e criatividade coletiva, e que uma ou mais criações sejam arquitetadas e trazidas ao ambiente da performance por todo o grupo. Serão pesquisadas possibilidades de ação como pequenas intervenções musicais na cidade e encontros de improvisação com músicos locais. O resultado das criações será apresentado em um concerto de encerramento. Haverá também bate-papo aberto ao público sobre os aspectos observados ao longo da residência: composição/ arranjo/ direção e produção musical. Público alvo: Músicos a partir de 15 anos que tenham algum domínio de seu instrumento (que também pode ser a voz). Cada um deve levar instrumento e, se necessário, um amplificador. Vagas também para ouvintes.

Sobre Joana Queiroz
Clarinetista, saxofonista e compositora, atualmente se divide entre as cenas musicais do Rio de Janeiro e São Paulo, fazendo parte de diversos projetos nas duas cidades. Dentre eles destacam-se o grupo “Claras e Crocodilos”, de Arrigo Barnabe? (SP);o sexteto de sopros “Inventos” (RJ); o quinteto “Quartabê” (SP/RJ), que cria interpretações em torno da obra de Moacir Santos; e seu próprio trabalho autoral (RJ-BH); com os quais tem se apresentado nos últimos anos em diversas cidades do Brasil e do exterior. Além do intercâmbio com SP, teve uma atuação intensa também na cidade de Belo Horizonte, gravando e se apresentando com autores da nova geração como Rafael Martini, Alexandre Andrés, Antonio Loureiro, entre outros.

Sobre Rafael Martini
Compositor, arranjador, pianista e cantor. Tem 4 discos lançados. Depois do primeiro e premiado Motivo (2012), o lançamento mais recente traz a obra jazz-sinfônica Suíte Onírica (2017) gravada pelo Rafael Martini Sexteto e a Orquestra Sinfônica da Venezuela. Lançou também, em parceria com os músicos Joana Queiroz e Bernardo Ramos o álbum Gesto (2016) e o álbum Haru (2017), este em parceria com Alexandre Andrés. Já apresentou seu trabalho em países como Japão, Argentina, EUA, Uruguai, Espanha e Portugal. Colabora como arranjador e diretor musical de diversos artistas de Minas Gerais, do Brasil e de outros países. Atualmente realiza concertos como convidado de Egberto Gismonti e prepara a gravação de seu próximo álbum.

FUNDAÇÃO DE EDUCAÇÃO ARTÍSTICA
A Fundação de Educação Artística – FEA – é uma entidade sem fins lucrativos, de forte cunho social, com penetração em todas as classes sociais, que tem como objetivo contribuir – ali onde o Estado não atua suficientemente – para a democratização, o aprimoramento e a atualização do ensino das artes e, em particular, da música. Criada, em maio de 1963, por um grupo de artistas e intelectuais mineiros, apresentou-se, desde sempre, como um centro de experimentação, renovação e difusão artística de base cultural ampla.

No âmbito educacional, merece destaque o papel desempenhado pela FEA no processo de atualização do ensino musical, não só em Belo Horizonte, como também em diversos centros de formação do País. Por valorizar o intercâmbio entre as artes, a Fundação de Educação Artística mantém-se sempre aberta a novas ideias, experimentações, pesquisas e é, essencialmente, uma defensora contumaz da música de nosso tempo.

SERVIÇO

Etapa Varginha: 2ª edição – Territórios de Invenção: Residências Musicais (Julho a outubro 2018)
30 de julho a 10 de agosto, de 18h às 21h – Conservatório Estadual Maestro Marciliano Braga
(Tv. João Pessoa, 137 – Vila Paiva, Varginha)
Com-Por (Por Junto) – Joana Queiroz e Rafael Martini
*Inscrições gratuitas de 25 de Junho a 16 de julho, por meio de preenchimento de ficha de inscrição online disponível nas mídias sociais do projeto
facebook: /residenciasmusicais | instagram: @residenciasmusicais
Vagas limitadas