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VIII Seminário de Patrimônio Cultural reúne especialistas para discutir cultura, clima e sustentabilidade

A Prefeitura de Varginha, por meio da Fundação Cultural e do Conselho Deliberativo Municipal do Patrimônio Cultural, realizou, na última quarta-feira (24/06), o VIII Seminário de Patrimônio Cultural de Varginha. Sob o tema “Patrimônio em Transformação: Cultura, Clima e Sustentabilidade”, o evento reuniu especialistas, gestores e a comunidade para debater a preservação da identidade frente aos desafios ambientais contemporâneos. A iniciativa ocorreu no auditório do Inprev.

Na abertura, o prefeito Leonardo Ciacci enfatizou que “não há como se falar em futuro sem falar no patrimônio”. Em sua fala, o prefeito ressaltou que o seminário chega à oitava edição em constante crescimento, refletindo a importância dos debates sobre patrimônio cultural. Acrescentou ainda que Varginha tem investido no fortalecimento das políticas de preservação, valorizando sua história e respeitando as particularidades que tornam único o patrimônio cultural de cada município.

O superintendente da Fundação Cultural, Marco Aurélio da Costa Benfica, reforçou que o patrimônio é a forma como a comunidade se relaciona com o território, alertando que o crescimento urbano e as mudanças climáticas impactam diretamente as referências culturais que definem a identidade local.

Já o presidente do Conselho Deliberativo Municipal do Patrimônio Cultural, José Manoel Magalhães Ferreira, destacou que o patrimônio cultural deve ser compreendido não apenas como um legado recebido das gerações anteriores, mas como um elemento vivo, em constante transformação e que influencia diretamente a vida das pessoas.

Painel 1: Patrimônio Cultural em Contexto Local

Este painel explorou como ativos culturais podem impulsionar o desenvolvimento econômico e social. A historiadora Gilmara Aparecida de Carvalho apresentou o caso do Marolo em Paraguaçu, que, ao ser registrado como patrimônio imaterial, transformou a economia regional e o sentimento de pertencimento da população, culminando na criação da Associação Terra do Marolo.

Thaíse de Castro, presidente do Circuito Lago de Furnas, discutiu o potencial do turismo rural, destacando a importância de inventariar as fazendas históricas de café de Varginha para evitar a descaracterização e o abandono.

Complementando a visão urbana, a arquiteta Jéssica Maciel apresentou o Observatório dos Espaços Públicos, que catalogou 96 praças e parques da cidade, utilizando geolocalização para monitorar acessibilidade e sombreamento, reafirmando esses locais como espaços de cidadania e preservação ambiental.

Painel 2: Patrimônio Cultural e Ações Climáticas

O segundo debate focou na vulnerabilidade do patrimônio diante de eventos extremos. A bióloga Cristina Roscoe Vianna, professora do Cefet-MG, alertou sobre a perda de recursos hídricos e áreas verdes em Varginha devido à urbanização, defendendo o conceito de “cidades esponja” para mitigar enchentes.

Representantes do IEPHA trouxeram uma perspectiva institucional: Glenda Martins abordou os impactos das mudanças climáticas no patrimônio material e imaterial, citando perdas em Ouro Preto e no Rio Grande do Sul.

Já o arquiteto Lucas Tabaral detalhou a criação da Comissão de Patrimônio Cultural e Mudanças Climáticas, que desenvolve planos operativos padrões para lidar com incêndios e inundações, ressaltando que o patrimônio muitas vezes guarda soluções tradicionais de convivência com a natureza que podem ser reaproveitadas no presente.

Painel 3: Educação Patrimonial e Engajamento Comunitário

O encerramento do seminário destacou a necessidade de dar protagonismo às comunidades. Carol Ministério, do IEPHA, defendeu que a educação patrimonial não deve ser um acessório, mas a base de qualquer processo de proteção, promovendo o reconhecimento das referências culturais pelos próprios detentores.

A professora Olga Milanés, da Unifal-MG, introduziu o conceito de Justiça Climática, pontuando que as populações mais vulneráveis são as que mais sofrem com os desastres ambientais, e propôs o “diálogo de saberes” entre a academia e as tradições populares.

Por fim, Natanael Coelho, da Tenda de Umbanda Caboclo Urubatã, discutiu o papel dos povos de terreiro na preservação da memória de Varginha. Ele defendeu o processo de “desincretização” como forma de fortalecer a identidade afro-brasileira e concluiu: “Quando um terreiro preserva sua tradição, toda a cidade preserva sua história”.

Apoio

Ame Cultura
• Associação Regional de Arquitetos e Urbanistas do Sul de Minas
• Associação Terra do Marolo
• Associação Varginhense de Engenheiros e Agrônomos
• Circuito Lago de Furnas
• Cefet-MG – Unidade Varginha
• Grupo Unis
• Instituto de Previdência dos servidores Públicos Municipais de Varginha
• Instituto do Patrimônio e Artístico de Minas Gerais
• Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais
• Secretaria Municipal de Educação
• Secretaria Municipal de Turismo e Comércio
• Tenda Espírita Caboclo Urubatã
• Universidade Federal de Alfenas – Campus Varginha

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Responsável pelas informações: Agnaldo Montesso - jornalista profissional - MTB 15.903 JP - ascom@fundacaoculturaldevarginha.com.br